segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cientistas querem chegar ao manto terrestre nos próximos dez anos


Nos próximos cinco anos serão analisadas três localizações do Oceano Pacífico que poderão servir para perfurações


Depois do abandono do projecto Mohole, realizado no início dos anos 60 e que tinha como objectivo chegar ao manto terrestre, os cientistas falam agora da hipótese de o retomarem.

Na revista «Nature», a propósito do 50º aniversário do Mohone, os investigadores Damon Teagle, da Universidade de Southampton (Reino Unido) e Benoît Ildefonse, da Universidade de Montpellier (França), afirmaram que as tecnologias de hoje já permitem realizar perfurações para serem obtidas amostras do manto da Terra. Os trabalhos poderiam desenrolar-se no espaço de uma década.

O manto é a camada que se encontra entre a crosta e o núcleo e que constitui a maior parte do planeta (vai de 30 a 60 quilómetros abaixo dos continentes, mas apenas seis abaixo dos oceanos, até ao núcleo, que se encontra a 2890 quilómetros). A sua análise seria muito importante para se conhecer melhor as origens e a evolução do planeta.

A ideia da investigação partiu de um grupo de geocientistas, em 1957. Patrocinado por uma comissão especial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, o projecto Mohole tinha como objectivo perfurar a crosta debaixo do mar até se chegar ao manto. Foram realizados, em 1961, cinco buracos na costa da Ilha de Guadalupe (México), mas só foi possível alcançar 183 metros de profundidade, o terço do desejado. Ainda assim, as amostras revelaram-se valiosas, fornecendo informações sobre o Mioceno.

Depois do perfurador, que utilizava diamantes para conseguir furar a rocha, se ter partido, o projecto foi abandonado pelos financiadores. Agora, os cientistas querem recuperá-lo e anunciaram já que durante os próximos cinco anos vão realizar medições em três localizações do Oceano Pacífico que poderão servir para futuras perfurações, as costas do Havai, da Baixa Califórnia (México) e da Costa Rica.

Este projecto vai utilizar, possivelmente, uma tecnologia japonesa chamada Chikyu. Os investigadores afirmam que será preciso muito dinheiro para levar a cabo as experiências, mas “não tanto como enviar um foguetão à Lua”.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

How Earth Made Us - BBC

"Como A Terra Nos Fez" é uma série com 5 episódios, apresentada pelo Prof. Iain Stewart. Ele mostra como a geologia, a geografia e o clima influenciaram a humanidade ao longo dos séculos. Iain Stewart conta a história épica de como o planeta fez a nossa história. Com imagens espetaculares, histórias surpreendentes e narrativa envolvente, a série revela o papel que quatro forças naturais diferentes desempenharam na história da humanidade



Sinopses:
EPISÓDIO 1: AS PROFUNDEZAS DA TERRA -  Neste episódio, Iain explora a relação entre as profundezas da Terra e o desenvolvimento da civilização humana. Ele visita uma caverna de cristais no México, desce por um buraco no deserto iraniano e arrasta se por túneis de 700 anos em Israel. A sua exploração mostra que ao longo da história, nossos ancestrais tinham uma certa atração por falhas geológicas, áreas que ligam a superfície às profundezas do planeta. Essas falhas forneceram acesso a importantes recursos, mas também trouxeram um grande perigo.

EPISÓDIO 2: ÁGUA -  Desta vez, Iain explora a nossa complexa relação com a água. Visitando lugares extraordinários na Islândia, Oriente Médio e Índia, mostrando como o controlo da água foi vital para a existência humana. Ele acompanha o ciclo da água, do qual dependemos, revelando como os habitantes dos sopés do Himalaia construíram uma ponte viva para lidar com as monções e visita o Egipto para mostrar o segredo dos faraós. Ao longo da história, o êxito dependeu de nossa habilidade de adaptação e controle sobre os recursos hídricos.

EPISÓDIO 3: VENTO - Iain veleja num dos barcos mais rápidos do mundo para explorar a história de nossa relação turbulenta com o vento. Viajando para lugares exóticos como o Saara, a costa da África Ocidental e o Pacífico Sul, Iain descobre como as pessoas exploram o poder do vento há milhares de anos. A força do vento que, à primeira vista, parece caótica. Mas os padrões que residem no interior da atmosfera moldaram o destino de continentes, e estão no centro de alguns dos momentos mais decisivos da história humana.

EPISÓDIO 4: FOGO - Iain explora a relação do homem com o fogo. Começa embarcando num extraordinário encontro com essa assustadora força da natureza - caminhando no meio do fogo. O fogo por muito tempo foi a nossa principal fonte de energia e Iain mostra como isso significou que o planeta desempenhou papel crucial na Revolução Industrial Inglesa, enquanto conteve o desenvolvimento da China. Ao longo do caminho, ele mergulha num lago misterioso no Oregon, escala uma geleira de sal, arrasta-se por uma caverna extraordinária no Irã e toma um banho terapêutico em petróleo bruto.

EPISÓDIO 5: O PLANETA HUMANO - Iain explora a força recentemente estabelecida, o homem. É fácil pensar no impacto humano sobre o planeta como negativo, mas Iain descobre que isso nem sempre é verdade. Resta claro que o homem tem controlo sem precedentes sobre muitos dos ciclos geológicos do planeta; a questão é: como é que a raça humana irá usar esse poder?

Reflexão: Nas aulas de geologia o professor tem nos mostrado estes episódios desta série bastante interessante, resolvemos por aqui um pequeno resumo destes cinco episódios que as constituiem, pois é muito interessante.

Dois sismos de fraca intensidade sentidos na ilha de São Miguel

O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores informa que no dia 13 de Dezembro foram registados dois eventos às 08:28h e 08:55h (hora local/UTC-1), com epicentro a cerca de 5 km a NNE da Ribeira das Taínhas, ilha de S. Miguel.
 
De acordo com a informação disponível os sismos foram sentidos em Furnas com intensidade máxima II/III (Escala de Mercalli Modificada).
 
Os eventos em causa integram-se na crise sísmica que se vem desenvolvendo desde o passado dia 15 de Setembro no sistema Fogo-Congro e cujo padrão de actividade continua a indiciar a possibilidade de se virem a registar episódios de maior libertação de energia. A área epicentral desta crise mantém-se numa extensa faixa que se estende desde a Ribeira Grande - Maia, a norte, e Água de Pau – Ponta Garça, a sul.
 
Fonte: cvarg

domingo, 4 de dezembro de 2011

Vulcão gigante é fotografado em Marte

Para os padrões terrestres, Tholus Tharsis é um gigante, elevando-se 8 km acima do terreno circundante, com uma base que se estende por 155 x 125 km. No entanto, em Marte, é apenas um vulcão de tamanho médio. O que o marca como invulgar é sua condição terrivel.

Visto através de imagens tiradas com uma câmara estéreo HRSC de alta resolução, numa nave da Agência Espacial Europeia, Mars Express,  o cone vulcânico está marcado por vários eventos dramáticos. Nos seus quatro bilhões de anos, pelo menos duas partes já ruíram.

Mas a atração principal do Tholus é sua cavidade. Quase circular, com 32 por 34 km, o fundo deve estar a pelo menos 2,7 km do topo.

Imagina-se que o vulcão esvaziou a sua lava durante as erupções e, com o material fervente escorrendo pela superfície, o chão da cavidade não conseguiu suportar o seu próprio peso, formando o gigante buraco.

Além do vulcão, novas descobertas são esperadas em Marte. Nesse mês, duas missões estão preparadas: uma russa, que vai aterrar em Phobos, a maior das duas luas de Marte, e uma americana, desenhada para detectar moléculas orgânicas no mundo.

Reflexão: Porque Marte e Vénus são mais cheios de vulcões e supervulcões do que a Terra? Nós achamos que o que torna o vulcanismo terrestre mais leve é o movimento das nossas placas tectónicas. Esse movimento abre fissuras e canais por cima e por baixo da crosta e permite à lava que existe em grande massa por baixo se movimente e não pressione saídas de forma tão violenta que gere tantos supervulcões como aconteceu em Marte. Acho que isso bate com a estimativa de que a crosta de Vénus e Marte é mais espessa que a da Terra e não tem movimento tectónico, por isso a paisagem de Vénus e Marte é marcada por vulcões enormes por toda parte.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Galopim de Carvalho lança «Dicionário de Geologia»

Autor pretende "incrementar a divulgação" desta ciência "maltratada"


Foi lançado, esta quarta-feira, o «Dicionário de Geologia» de A. M. Galopim de Carvalho. A obra inclui 9115 termos em português e em inglês e é uma contribuição do geólogo para as comemorações do Ano Internacional do Planeta Terra e do Centenário da Universidade de Lisboa.

Trata-se de “uma contribuição para vulgarizar e incrementar a divulgação da Geologia em Portugal, que continua muito maltratada”, afirmou o autor.

“O que me motivou a fazer este dicionário foi o facto de, nos anos 70, Carlos Teixeira da Universidade de Lisboa, que foi meu professor, ter iniciado esta obra fazendo fascículos da letra A, B, D, E”, contou A. M. Galopim de Carvalho.

Com o “desaparecimento” de Carlos Teixeira, “um discípulo dele” chamado Francisco Gonçalves, da Universidade de Évora, “deu continuidade” ao trabalho até 1988. Ao longo das duas décadas seguintes, A. M. Galopim de Carvalho reformulou, desenvolveu e conclui o livro com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

O «Dicionário de Geologia» “é uma obra antiga, que demorou muitos anos a fazer”, referiu o autor. O resultado pode ser lido pelo público em geral pois “a escrita é feita de maneira acessível a qualquer não geólogo”, sublinha.

Para José Mariano Gago o livro é considerado um instrumento fundamental para a ciência.

“O que temos perante nós é a produção de uma terminologia científica em língua portuguesa, algo relativamente raro sobre a forma de dicionário”, afirmou o professor durante a apresentação do livro, na Reitoria da Universidade de Lisboa.

Actualmente, a produção de terminologias é, segundo o ex-ministro da ciência, “o elemento mais forte” porque é nela que se “condensa a capacidade de uma comunidade científica de comunicar organizadamente com as outras profissões e com os profissionais da comunicação”.

“Sem dicionários e sem terminologias científicas não há comunicação rigorosa, não há ensino das ciências, não há sequer pensamento científico organizado”, concluiu.


Reflexão: Sem dicionários e sem terminologias não há ensino das ciências, como diz o autor, e em Língua Portuguesa é bastante importante para todos os seguidores da Ciência.
 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tempo Geológico

Escala de tempo geológico representa a linha do tempo desde o presente até a formação da Terra, dividida em éons, eras, períodos, épocas e idades, que se baseiam nos grandes eventos geológicos da história do planeta. Embora devesse servir de marco cronológico absoluto à Geologia, não há concordância entre cientistas quanto aos nomes e limites de suas divisões. A versão aqui apresentada baseia-se na edição de 2004 do Quadro Estratigráfico Internacional da Comissão Internacional sobre Estratigrafia da União Internacional de Ciências Geológicas.


Era Proterozóica
Também chamada de Era Primitiva ou Era Pré-Cambriana. A mais antiga e mais vasta divisão do tempo geológico(gr. proteros = primeiro + zoé= vida). O seu início não é ainda definitivamente conhecido, ultrapassando, entretanto, a casa dos quatro bilhões de anos (estimativa baseada na radioatividade); o seu término deu-se aproximadamente há 500 milhões de anos. Designam-se comumente como pré-cambrianos os terrenos formados durante essa era. Constituem-se de rochas metamórficas (ganisses, xistos) intensamente dobradas e falhadas e rochas ígneas (granitos, etc.). A sua importância econômica é muito grande, porque nos terrenos dessa era estão as maiores reservas de ferro conhecidas, manganês, etc., sem mencionar-se ouro, cobre, níquel, prata, pedras preciosas, material de construção, etc.
Era Paleozóica
Também chamada de Era Primária. Divisão do tempo geológico seguinte à Era Proterozóica e a antecedente à Era Mesozóica. A sua duração foi de aproximadamente 380 milhões de anos. Embora a vida já se achasse presente na Era Proterozóica, é nos terrenos mais antigos da Era Paleozóica que os vestígios de organismos se mostram mais abundantes. Divide-se em seis períodos que, na ordem dos mais antigos para os mais modernos, são os seguintes: Cambriano, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano, Carbonífero e Permiano. De acordo com os dados paleontológicos, no cambriano achavam-se presentes todos os grandes grupos de invertebrados.
Era Mesozóica
Também chamada de Era Secundária. Penúltima das eras em que se divide a história da Terra. Conhecida como a Idade dos Répteis ou Idade dos Amonides, pela importância que esses dois grupos atingiram durante os 140 milhões de anos da sua duração. O nome vem do grego mesos que significa meio, e zoé que indica vida, isto é, vida intermediária. Dos répteis mesozóicos os dinossauros são os mais conhecidos. Atingiram tamanhos gigantescos e se extinguiram no fim da Era Mesozóica.
Era Cenozóica
O princípio da Era Cenozóica marca a abertura do capítulo mais recente da história da Terra. O nome desta era provém de duas palavras gregas que significavam vida recente. Durante a Era Cenozóica, que principiou há cerca de 60 milhões de anos, a face da Terra assumiu sua forma atual. A vida animal transformou-se lentamente no que hoje se conhece, porque nela se desenvolveu o ser humano.

Fósseis encontrados na China sugerem que o humano moderno apareceu bem antes do que se pensava





     A descoberta de restos fósseis dos primeiros humanos modernos (Homo sapiens sapiens) na região de Zhirendong (Gruta de Zhiren) no sul da China, datam pelo menos uns 100 mil anos, o que representa a evidência mais antiga do aparecimento dos humanos modernos na Ásia Oriental, pelo menos 60 mil anos mais velhos que os humanos modernos anteriormente conhecidos na região.
- "Estes fósseis estão a ajudar-nos a redefinir a nossa percepção do aparecimento do homem moderno no leste da Eurásia, e em todo o Velho Mundo em geral", diz Eric Trinkaus, PhD, Professor Mary Tileston Hemenway em Artes e Ciências e professor de Antropologia Física.
        Os fósseis de Zhirendong têm uma mistura de características modernas e arcaicas, que contrastam com os humanos modernos encontrados anteriormente no leste da África e sudoeste da Ásia, o que indica um verdadeiro grau de continuidade da população humana na Ásia, com o aparecimento dos humanos modernos.


    Os humanos de Zhirendong indicam que a propagação biológica humana moderna precedeu por muito as inovações culturais e tecnológicas do Paleolítico Superior e que os primeiros humanos modernos coexistiram durante muitas dezenas de milhares de anos com seres humanos mais arcaicos ou primitivos, mais ao norte e ao oeste através de Eurásia.

      Uma equipa internacional de pesquisadores, entre eles um professor de antropologia física na
Universidade de Washington em St. Louis, descobriram fósseis humanos bastante antigos no sul da China, o que muda notoriamente a percepção dos antropólogos a respeito do aparecimento dos humanos modernos no leste do Velho Mundo.